Para se pensar poeticamente!
Não existem protagonistas nesse filme. A cidade de São Paulo é o protagonista, que acolhe e ao mesmo tempo produz esses diversos acontecimentos.
Estamos no meio da mata virgem, distante muitas léguas da ação do homem e de sua capacidade de transformação da natureza. Vemos um grande morro, parcialmente arado, outro grande morro também arado, as possibilidades de organização do homem se apresentam, as plantações, a monocultura, o controle sobre a natureza, a propriedade privada.
Como extensão direta do arame farpado, a guerra e a loucura, chegamos hoje na cidade e percebemos uma verdadeira algazarra social. Entre mortos e feridos só nos resta o caos. Moderno e Capitalista, onde é cada um por si e Deus contra todos. Um enorme exército de desempregados tentando sobreviver em meio ao pão de cada dia. É fruta, é CD, walkman, cachaça, samba, celular, videogame, bang-bang e Charles Chaplin.
O grande empresário exalta as possibilidades do grande mercado mundial. As negociações financeiras, os alto escalões, a globalização, o tráfego de informações, a bolsa de valores, NASDAQ, virtualidade e conforto. Os homens parecem não mais se privarem de nada. Mas o governo, agora encarnado na prefeitura de São Paulo, é que parece se privar do poder que, civis, lhes entregamos. De acordo em acordo, os mais acordados percebem que ao invés de cidadãos se transformaram em consumidores. Cidadania agora só cabia à alma dos homens. Afinal de contas, pobre tem alma, e também é homem. E o terceiro setor com certeza estava lá para conferir. E conferiu. Só não sabia que em meio a homens com alma, também existem homens com armas. Prontos a lutar, prontos a brigar, sedentos por justiça. “É como se dizia na sagrada bíblia, é olho por olho e dente por dente”.
Assim, era muito provável que ninguém ficaria impune quanto a tudo isso. Ainda restava daquele esquecido governo, a lei, seus tentáculos e seus compromissos. Não esqueceram dos esquecidos elementos que estavam causando desequilíbrios por aí. Mas ainda assim, não bastava que só os opressores mostrassem seus dentes, era necessário mostrar que eles tinham feito escola. E os velhos oprimidos não hesitariam em exibir sua incrível capacidade de aprendizado. E aprenderam muito bem. Mas mal sabiam eles, professores e alunos da ordem, que aulas de outro calibre estavam despontando por aí. Os serrados-concretos de Brasília parecem ser grandes para isso.
A LUTA SÓ HAVIA COMEÇADO. É LUTA PRÁ VALER!
Por uma economia planificada e uma consciência ampliada e coletiva!
Escrito por Daniel Manzione às 16h19
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